segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

a espera do segundo encontro

eu quero você por inteira
conhecer suas musicas
seu cheiro

a descoberta aparece
no mergulho do oceano desconhecido
por mim até ontem

é a vontade que move a vida
é a vontade de vida que conecta as duas

a pele doce que esperava ao encontro
corpos parecidos pela ambiguidade
andróginos que se comem na madrugada fria da rua calma

duas
duas. dois, dois
fogo, ardência 
a espera do segundo encontro
a confusão espontânea sugere a mente
mil possibilidades de estar
mil possibilidades no entre, entre os dois. entre as duas
mil vezes te beijaria
mil palavras sujas te diria

é a vontade que move a vida
é a vontade de vida que conecta as duas
o encontro
navegadoras em busca do saque de todo ouro acumulado
em busca do desejo, da loucura.




a volta

morre e tudo que se vai
um dia com outra roupagem aparece
morre e volta igual
morre e volta diferente


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

XXX Anarquia


a anarquia
x anarquista
eterna lutadora é
a causadora dos conflitos
a que faz emergir a luta diária
a que implode a máquina, é a que convoca a greve
que ama o fogo das garrafas brilhantes
usadas na noite anterior para celebrar o sexo livre
que prepara o jornal de denúncia
que sonha acordadx a todo instante
esperando um dia a felicidade
esperando a si mesma na esquina
porque é puta, bixa, preta, sapatão

a que atrai toda vagabundagem
porque vagabunda é também

a anarquia
x anarquista
eterna lutadora é
a que o buquê entrega ao policial
mas esse que idiota é, mal sabe que a flor da anarquia
nada mais é que bomba

a anarquia
x anarquista
 a que disparou o primeiro tiro contra o soldado franquista
a que assassinada foi pelo exército vermelho
a que jogou a aliança no vaso 

a anarquia
x anarquista
sofre por não poder resolver tudo
mas busca uma solução para quase
é sensível mas não é mulher
é bruta mas não é homem
Refugia a si, todas as crianças perdidas
Carrega a força de destruir as fronteiras
abrindo caminho aos seres impedidos de trafegar 
os que pensam vida não ter
quando conhecem a anarquia, vivos descobrem-se

a anarquia
x anarquista
destrói a mente dos civilizados
rejeita o progresso, sugere revolução
planejando mundos
nos livra da solidão
caminha pela rua com olhos atentos
para que cada olhar de lamento
sirva de inspiração
a anarquia
x anarquista
é umx arquitetx, a serviço da reconstrução
(ao mesmo tempo que oferece a destruição)

por: Kassandra Viúva

terça-feira, 13 de novembro de 2012

se fosse de manhã não lembraria de mais nada
então me levanto e corro para descrever
para proteger o que a memória e o tempo vão me fazer esquecer
esse fogo que esta aqui dentro
uma boca que desejo ainda
corpo inteiro traçado pelas linhas de um desenho simples
narciso perdido no deserto repleto de miragens mirabolantes
um cenário vermelho e cheio de gritos
projeções por toda parte
um doce na boca
me faz salivar
é seu beijo, seu cu, seu pau
vontade que não passa, despedir-se arrancando um pedaço

A mordida profunda que tira pra fora tudo de forte que tinha aqui dentro
As unhas que cravaram marcas ainda presentes, quero-as aqui - me fodendo de novo
Ainda no quarto escuto você gritar, meio que sem respirar
entregre a mim, a cama quebrada a lantejola no corpo
o suor forte. três dedos fincados com força para que tu grites mais, mais, e mais
leveza corpórea
prazer desprovido de moral
pura beleza







domingo, 4 de novembro de 2012

Sou aquele passa pela rua
Que rouba os olhares, de homens e de mulheres
Da dúvida se brota o incômodo cheiro de merda
Estúpidas, medianas, pouco relevantes
pessoas triviais, momentos sem nexo
A realidade não é verossímel, a implantei aqui dentro
E logo já a destruo - é pelas poças de lama que percorro o beco sem sáida
Entre dos outros, esse que me desafia a destruir pedaços de mim mesma
O teto cai sobre minha cabeça
E essa tristeza estranha da cidade ai fora obriga-me a ficar aqu, amarrada pronta pra servir novamente
A memória que firma o passado possuí uma curta vida, o hoje já esta sendo modificado, e amanhã podre estará
A memória se apodera apenas do presente
Te quero hoje
Posso te querer sempre
Tuas mãos deixaram marcas sobre minha bunda
Roxidões feito couro de vaca
Coagulos densos que sentem a tua falta
De bicicleta percorro lugares antes nunca vistos pela mente
Pedalei até o céu e máquina tornei minhas pernas
O sangue escorre pela perna, foi o corte que recebi da vida
Essa que sempre esta me pregando uma peça
Cada dia me testa, como se eu fosse seu experimento de última instância
Molécula isolada no meio a multidão
Vida ordinária, qualquer...
Qualquer vida

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pussy

lênin apodrece no museu
uma estátua de engels na esquina
ortodoxia clerical petrolífera 
uma igreja invadida 
punk rock riot girl, beauvoir! 
riot, pussy pussy pussy!
sem distinção 
balaclavas de cores primárias
em todos os lugares agora
no pasarán!!!!

sábado, 4 de agosto de 2012

Estive sozinha por muito tempo
E ainda que desprezase estar com os outros
Permaneci sozinha

A boneca que me deram
só fez sentido quando cresci
ela me fez adormecer
me fez querer tentar docilizar a mim
humanizar a todos
os tempos passaram e a boneca ainda estava ali
tempo passou, passou
e para dentro do armário ela se foi

Estive sozinha por muito tempo
E ainda que me pediram para estar com outros
Permaneci sozinha

Amenizei a dor cedendo-me a qualquer um
Como se o que estive fazendo estava certo
Essas verdades, nunca foram verdades
Mas mentiras ceifadoras de minha liberdade
Um peso nas costas
Uma vontade em não corresponder expectativa alguma

Séculos dentro de mim
Passarão a mão na minha cabeça, conseguiram por muito tempo
Me doparam a serviço de sua escravidão

Fiquei grávida,
Abortarás
Matarás
Roubarás
Não informei sobre nada